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1º Módulo

Antes de começarmos: o que é, afinal, a internet?

O que chamamos de internet é um sistema de comunicação entre dispositivos eletrônicos (celular, computador, tablet etc.) em torno de uma rede global de infraestrutura. Sites e aplicativos compõem a camada de conteúdos disponibilizados via web. Servidores armazenam os dados e provedores são responsáveis pela conexão dos dispositivos à rede, por meio de mecanismos de transmissão, como cabos, satélites ou via rádio (este vídeo aqui conta um pouco mais sobre como funciona a internet).

De acordo com a revista “Submarine Telecoms Forum”, quase 99% do tráfego intercontinental de dados na internet passam por cabos submarinos de fibra óptica. Empresas de telecomunicação, como a americana AT&T, e plataformas digitais têm realizado grandes investimentos nessas redes de transmissão. Segundo o site “BroadBandNow”, em 2019, o Google se tornou acionista majoritário de 100 mil quilômetros de cabos submarinos, tendo alguma participação em 8,5% do total existente. Já o Facebook possui uma rede de 90 mil quilômetros, além de 30 mil da Amazon e 6,6 mil da Microsoft.

O que antes demandava uma enorme biblioteca ou grandes compartimentos para armazenar, hoje cabe em um chip. Uma carta que ontem levaria dias para chegar a uma pessoa do outro lado do mundo, hoje leva poucos segundos, por meio de aplicativos de mensagem. A internet permitiu, de certa forma, reduzir a distância entre pessoas e conteúdos e o próprio acesso à informação.

Essas vantagens se tornaram importantes inclusive no momento de isolamento físico imposto pela pandemia da covid-19. Além de ser um dos principais meios para comunicação entre familiares e amigos, a internet tornou-se um grande canal para o ensino, reunindo estudantes e professores em um contexto de incertezas e distanciamento. Inspirado pelos acontecimentos deste período complexo e sem precedentes na educação, o conteúdo deste guia visa a fomentar uma internet livre e segura.

Quanto se paga para usar a internet?

A partir do momento em que se tem acesso à internet - com a senha de um ponto de wi-fi, por exemplo - muitas vezes podemos ter a ilusão de que a navegação em sites e aplicativos é pública e gratuita. Mas a verdade é que, para acessar a rede, mesmo em páginas e plataformas abertas, utilizamos camadas de infraestrutura e conteúdo privadas e isso é pago com uma moeda de troca muito valiosa: nossos . São informações sobre a nossa rotina e personalidade, na rede e também fora dela, que incluem cadastros, contatos, endereço, mensagens privadas, públicas, registros de acesso, voz, identificação de nossos celulares ou computadores, sistema de posicionamento global - o GPS -, compras etc.

Via de regra, tudo o que fazemos na internet fica registrado, ainda que não tenhamos dado permissão específica para esse registro ou feito um login em determinado site. Todos nós, portanto, temos um “rastro digital”, que inclui informações que nós mesmos colocamos ou escrevemos na internet, como posts, curtidas ou comentários em plataformas e redes sociais, e informações que ficam registradas sem sequer sabermos, como o tempo que gastamos em cada página da internet, o caminho que fazemos com o cursor do nosso mouse ou o dispositivo pelo qual acessamos a rede on-line.

E qual é o grande problema disso? Todas essas informações são interpretadas por , operados por técnicas de , em um processo que chamamos de . Basicamente, a partir do rastro digital de cada pessoa, esses robôs conseguem traçar perfis individuais, mapeando suas relações interpessoais, preferências e gostos em determinados temas, principalmente em relação ao consumo. A moeda de troca aqui são os dados e preferências de cada pessoa que usa a internet e as TDICs, que alimentam práticas comerciais e geram lucro para as empresas de tecnologia, que oferecem essas informações a outras empresas anunciantes.

Então, grandes corporações de tecnologia, que possuem enorme capacidade de coleta e do processamento de dados, registram lucros gigantes, direcionando por meio de algoritmos de IA, conteúdos específicos, sob medida, a cada usuário. São diversas as contradições relacionadas ao abuso de anúncios sob demanda e, inclusive, hoje se discute a real liberdade que temos de escolha de conteúdos que aparecem em nosso uso da internet e de tecnologias digitais de informação e comunicação, que são o tempo todo direcionados a partir de IA.

Talvez você já tenha ouvido sobre o caso em que algoritmos descobriram a gravidez de uma adolescente antes mesmo de seu pai.

E todas essas questões se aplicam também quando tratamos da educação mediada por tecnologias e pela internet.

Um estudo de acadêmicos e organizações sociais, sob o título “Educação Vigiada”, mostra que 65% das universidades públicas e secretarias estaduais de educação no Brasil estão expostas ao chamado "capitalismo de vigilância". Isto porque estas instituições têm seus servidores ancorados em grandes empresas de tecnologia, como Google e Microsoft. Um relatório, na mesma linha, da organização Freedom House, intitulado Freedom on the Net – 2019, apontou, a partir de 65 análises, 40 países não livres em termos de monitoramento e vigilância na internet.